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	<title>In Utero</title>
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		<title>In Utero</title>
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		<title>O meu teto de vidro</title>
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		<pubDate>Thu, 18 Nov 2010 00:01:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Dado</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Na entrada da estação República, ontem, havia um rapaz tocando violão. Ele vestia um sobretudo preto. Tinha os cabelos claros. Não estava sujo, não cheirava mal. Eu tinha acabado de passar na padaria Santa Efigênia, no Copan, e estava abocanhando uma rabanada (saudades daquela rabanada). Notei que ele pedia alguma moeda para quem passava. Continuei [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=inutero.wordpress.com&amp;blog=6314465&amp;post=215&amp;subd=inutero&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Na entrada da estação República, ontem, havia um rapaz tocando violão. Ele vestia um sobretudo preto. Tinha os cabelos claros. Não estava sujo, não cheirava mal. Eu tinha acabado de passar na padaria Santa Efigênia, no Copan, e estava abocanhando uma rabanada (saudades daquela rabanada). Notei que ele pedia alguma moeda para quem passava. Continuei andando. Enquanto eu descia a escada, ele começou a cantar <em>Behind Blue Eyes, </em>do The Who (famosa também com o Limp Biskit).</p>
<p>Não deu para ouvir como ele tocava. Mas a voz estava desafinada. Só que o inglês era bom. A conclusão que eu tive (precipitada?) era que ele estava longe de ser um mendigo. Para mim, era alguém bancando o artista (ainda mais porque ele estava a cara do Charlie, do <em>Lost</em>, em uma cena que ele canta <em>Wonderwall</em> nas ruas de Londres, pedindo dinheiro), doido para dizer que &#8220;viveu como os excluídos&#8221; por um tempo, e que conheceu &#8220;a verdadeira realidade&#8221; das ruas. Li uma matéria em uma revista esses dias, em uma sala de espera. Uma estudante de jornalismo usou todos esses termos como mote para alugar um barraco na favela (a R$ 65 mensais), juntar suas coisas em uma mochila e documentar o cotidiano desse exótico ser que é o pobre (era o TCC dela).</p>
<p>Ok, acho o mundo muito cruel e tal. Também acho que há um imenso abismo entre a gente e as pessoas que realmente rebolam para viver. Mas não suporto essa síndrome de &#8220;quero ser herói&#8221; que algumas pessoas têm, querendo ser o &#8220;salvador dos pobres&#8221;, disparando clichês sobre o quão terrível é a &#8220;classe média&#8221;. Discurso demais não cheira bem.</p>
<p>Veja que irônico: isso tudo passou pela minha cabeça enquanto eu limpava o açúcar da deliciosa rabanada que ficou grudado na minha boca. E se fosse o que eu chamo de &#8220;mendigo genuíno&#8221;, e não um artista (se é que ele era mesmo um artista)? Teria eu me sentado na calçada para dividir minhas rabanadas com ele? Talvez eu seja como o músico pedindo moedas cantando em inglês. Ou como a patricinha na favela. Eu, depois do ano passado inteiro pesquisando sobre a Praça Roosevelt. Escrevendo um livro sobre a calamidade que aquele lugar tinha se tornado, sobre os excluídos que viviam debaixo daquela estrutura de concreto.</p>
<p>De repente, me senti como a patricinha que tanto me irritou na matéria (tá, tem outro motivo: o texto dela era muito ruim). Ficar tantos meses sem visitar a praça (depois de escrever um livro sobre ela) me fez ter uma outra ideia sobre as coisas.</p>
<p>E o motivo de eu passar por ali era justamente o lançamento de um livro. Não o meu (como vocês, meus fieis leitores &#8211; mãe, pai, professor orientador, um beijo &#8211; devem ter notado, depois do fim do TCC, a coisa ficou meio de lado). Mas um feito pelos próprios Satyros.</p>
<p>No fim do ano passado, enquanto eu e a Ana estávamos loucos para terminar tudo a tempo, o Ivam tinha contado que eles estavam preparando um livro de fotos. Quem organizaria tudo seria o ator Germano Pereira. Algumas coisas fizeram o projeto atrasar e, agora em novembro, o material ficou pronto. O volume é lindo. O lançamento foi na HQ Mix. Tinha bastante gente legal (só não vi o Ivam, porque ele foi dar entrevista para a TV Cultura. Mas o Rodolfo estava lá).</p>
<p>Me deu saudades. Terminar a faculdade significa entrar de cabeça na vida profissional (pelo menos se você já estiver bem encaminhado em um estágio). Foi o meu caso. Eu até queria (quero?) continuar o projeto, pesquisar mais, falar com mais gente, escrever mais, para ver se esse livro vira. Mas a rotina de repórter não ajuda muito. E, vejam só, 11 meses já se passaram desde que eu recebi um 10 no que, para mim, era um projeto incompleto.</p>
<p>Cheguei na praça e encontrei tapumes por toda a sua extensão. Não bastasse, a igreja estava fechada. Desde julho, está rolando uma reforma no lugar. Uma grande oportunidade para rever a história do lugar (e, acredite, você nunca imaginou que uma praça tivesse tanta história). Vai durar dois anos. 2012. Terei um livro pronto até lá?</p>
<p>Talvez seja o caso de, depois de um ano de descanso, eu começar a estabelecer alguns prazos.</p>
<p>Quem sabe.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/inutero.wordpress.com/215/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/inutero.wordpress.com/215/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/inutero.wordpress.com/215/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/inutero.wordpress.com/215/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/inutero.wordpress.com/215/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/inutero.wordpress.com/215/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/inutero.wordpress.com/215/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/inutero.wordpress.com/215/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/inutero.wordpress.com/215/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/inutero.wordpress.com/215/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/inutero.wordpress.com/215/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/inutero.wordpress.com/215/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/inutero.wordpress.com/215/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/inutero.wordpress.com/215/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=inutero.wordpress.com&amp;blog=6314465&amp;post=215&amp;subd=inutero&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Voltamos a apresentar</title>
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		<pubDate>Sat, 03 Apr 2010 17:30:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Dado</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Ana Lúcia Araújo]]></category>
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		<description><![CDATA[Da última vez que escrevi, era o primeiro dia das Satyrianas. Foi um evento imenso. Depois disso, entramos no processo de finalizar o livro. Farei um resumo: Durante umas duas semanas, a única coisa que fiz foi sentar-me em frente ao computador para colocar todo aquele monte de histórias que eu tinha pesquisado durante o [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=inutero.wordpress.com&amp;blog=6314465&amp;post=211&amp;subd=inutero&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Da última vez que escrevi, era o primeiro dia das Satyrianas. Foi um evento imenso. Depois disso, entramos no processo de finalizar o livro. Farei um resumo:</p>
<p>Durante umas duas semanas, a única coisa que fiz foi sentar-me em frente ao computador para colocar todo aquele monte de histórias que eu tinha pesquisado durante o ano. Depois disso, revisão (com uma revisora da Academia Brasileira de Letras), diagramação e, finalmente, impressão na gráfica.</p>
<p>Livro impresso &#8211; e aquele orgulho no peito &#8211; foi hora de entregar para a faculdade. Frio na barriga. No dia marcado, quase todo mundo estava com seu trabalho em mãos. Uma feira de vaidades, descrita pelo Rodolfo (meu orientador fofo) como &#8220;uma maternidade&#8221;: &#8220;Cada um quer mostrar seu filhinho para todo mundo.&#8221; Comigo, lógico, não foi diferente.</p>
<p>Depois eu tive que entregar o livro para quem faria parte da banca &#8211; o professor, jornalista e ecritor Jorge Tarquini, como convidado interno, e a jornalista e amiga Ana Lúcia Araújo, como convidada externa.</p>
<p>Depois disso, o momento mais tenso de todos: a apresentação. Em vinte minutos (que duraram uma hora e meia), todo o trabalho de um ano, junto com lufadas glaciais de frio na barriga, tremedeira, mãos suadas, equipamento falhando e voz embargada.</p>
<p>Deu tudo certo. Tiramos 10.</p>
<p>Então o que resolvemos fazer? Tirar merecidas férias, o que fez com que desde o mês de novembro eu não visite a Praça Roosevelt (mas depois de um ano inteiro lá, eu bem que merecia um tempo, vai). Festas de fim de ano, folga de <em>réveillon, </em>volta ao trabalho &#8211; em uma  nova etapa profissional -, fazer um milhão de coberturas &#8211; inclusive da São Paulo Fashion Week &#8211; e coisas do tipo fizeram com que o retorno das férias da Roosevelt fosse adiado e adiado e adiado&#8230; até que o destino me levou de volta até lá.</p>
<p>Enfim, nos próximos posts (não prometo frequência, ok?) eu conto as histórias que ficaram escondidas nestes meses de ausência. Agora com uma novidade: estou indo a peças de teatro por toda a cidade.</p>
<p>Enfim, nos vemos.</p>
<p>Dado</p>
<p>PS.: Nunca contei o nome do livro aqui, não é? Bom, agora, com ele escrito, acho que já posso: <em>Satyrizando a Praça Roosevelt: Os 20 Anos da Cia. de Teatro Os Satyros.</em></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/inutero.wordpress.com/211/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/inutero.wordpress.com/211/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/inutero.wordpress.com/211/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/inutero.wordpress.com/211/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/inutero.wordpress.com/211/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/inutero.wordpress.com/211/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/inutero.wordpress.com/211/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/inutero.wordpress.com/211/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/inutero.wordpress.com/211/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/inutero.wordpress.com/211/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/inutero.wordpress.com/211/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/inutero.wordpress.com/211/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/inutero.wordpress.com/211/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/inutero.wordpress.com/211/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=inutero.wordpress.com&amp;blog=6314465&amp;post=211&amp;subd=inutero&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">Dado</media:title>
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		<title>Vai perder?</title>
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		<pubDate>Fri, 30 Oct 2009 12:39:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Dado</dc:creator>
				<category><![CDATA[Os Satyros]]></category>
		<category><![CDATA[Praça Roosevelt]]></category>
		<category><![CDATA[Satyrianas; maratona]]></category>

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		<description><![CDATA[Clique aqui e saiba tudo sobre as Satyrianas 2009. Quem chegar por último é a mulher do padre Rafael!<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=inutero.wordpress.com&amp;blog=6314465&amp;post=202&amp;subd=inutero&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://inutero.files.wordpress.com/2009/10/satyrianas.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-203" title="satyrianas" src="http://inutero.files.wordpress.com/2009/10/satyrianas.jpg?w=369&#038;h=505" alt="satyrianas" width="369" height="505" /></a></p>
<p><a href="http://satyros.uol.com.br/noticia.asp?id_destaque=1">Clique aqui e saiba tudo sobre as Satyrianas 2009.</a></p>
<p>Quem chegar por último é a mulher do <a href="http://inutero.wordpress.com/2009/04/25/padre-rafael-parte-1-e-o-convento-dos-devassos-ou-desnudando-justine-parte-6/">padre Rafael!</a></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/inutero.wordpress.com/202/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/inutero.wordpress.com/202/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/inutero.wordpress.com/202/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/inutero.wordpress.com/202/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/inutero.wordpress.com/202/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/inutero.wordpress.com/202/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/inutero.wordpress.com/202/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/inutero.wordpress.com/202/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/inutero.wordpress.com/202/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/inutero.wordpress.com/202/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/inutero.wordpress.com/202/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/inutero.wordpress.com/202/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/inutero.wordpress.com/202/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/inutero.wordpress.com/202/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=inutero.wordpress.com&amp;blog=6314465&amp;post=202&amp;subd=inutero&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">Dado</media:title>
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		<title>Corre, Dado, Corre (ou &#8216;Os cães da Praça Roosevelt, parte 2&#8242;)</title>
		<link>http://inutero.wordpress.com/2009/10/04/corre-dado-corre-ou-os-caes-da-praca-roosevelt-parte-2/</link>
		<comments>http://inutero.wordpress.com/2009/10/04/corre-dado-corre-ou-os-caes-da-praca-roosevelt-parte-2/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 05 Oct 2009 01:02:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Dado</dc:creator>
				<category><![CDATA[Meus botões]]></category>
		<category><![CDATA[Praça Roosevelt]]></category>
		<category><![CDATA[mendigos; Thriller; fotografia; fuga]]></category>

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		<description><![CDATA[Fotografar a praça não foi das atividades mais simples, ainda mais depois de descobrir que nem todos os mendigos de lá saem recitando Vinícius de Moraes para a gente. Minhas desventuras em série resolveram se manifestar um certo tempo antes de eu pisar na praça com este intuito. A começar pela câmera. Eu até tenho [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=inutero.wordpress.com&amp;blog=6314465&amp;post=198&amp;subd=inutero&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://inutero.files.wordpress.com/2009/10/roosevelt01_390.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-199" title="roosevelt01_390" src="http://inutero.files.wordpress.com/2009/10/roosevelt01_390.jpg?w=390&#038;h=293" alt="roosevelt01_390" width="390" height="293" /></a></p>
<p>Fotografar a praça não foi das atividades mais simples, ainda mais depois de descobrir que <a href="http://inutero.wordpress.com/2009/06/22/o-dia-em-que-conheci-vinicius-de-morais-e-ele-cantou-o-canto-de-ossanha-pra-mim-ou-os-caes-da-praca-roosevelt-parte-1/">nem todos os mendigos de lá saem recitando Vinícius de Moraes para a gente</a>.</p>
<p>Minhas desventuras em série resolveram se manifestar um certo tempo antes de eu pisar na praça com este intuito.</p>
<p>A começar pela câmera. Eu até tenho uma máquina fotográfica. Ela deve ter sido bem bacana um dia, visto que possui um adesivinho escrito &#8220;made in USSR&#8221; &#8211; e levando em conta o tempo desde que a União Soviética acabou, concluo que a máquina não é assim um primor da tecnologia.</p>
<p>Daí fui até a faculdade para retirar uma câmera no setor de multimeios. Eu sou <em>oldschool</em>, gosto do filme. Por mais que me digam que as câmeras atuais fazem isso e fazem aquilo, nunca consegui regular um obturador de máquina digital que não fosse reflex.</p>
<p>A Ana Raquel até tem uma super modernosa. Mas lá em Praga, que é onde ela deve estar neste momento, a câmera deve estar sendo empregada em assuntos mais nobres.</p>
<p>Chegando à faculdade, descubro que houve uma reformulação no processo de empréstimo de equipamentos do setor de multimeios, e eu precisaria da autorização do meu orientador. Ok, sem problema, vou lá, falo com o Rodolfo, contamos meia dúzia de anedotas, ele me puxa orelha por conta do atraso no projeto, subo lá com o papel na mão e pronto.</p>
<p>Mas não foi tão simples. Onde estava o sr. professor Rodolfo? Devia estar no aconchego do lar, com o notebook ligado, de olho nos textos antigos do <strong>In Utero.</strong> Certeza.</p>
<p>Após algumas escalas, volto eu para o meu não tão aconchegante lar para dar um oi para minha querida e antiga máquina Zenith. Um professor já tinha comentado comigo e, alguns anos depois, pude ter absoluta certeza: minha lente estava com fungos, o que a deixa com algumas manchinhas (que eu jamais imaginaria se tratar de fungos). Segundo ele, a situação estava feia, &#8220;quase um pântano. Jesus&#8221;. Tudo bem, nada que um paninho e um solvente não resolvessem. Foi o que ele disse. E muito cuidado na hora de desmontar (um outro mestre havia sugerido que não, Dado, não faça isso de jeito nenhum e leve sua máquina para um profissional. Mas eu cresci assistindo a Ana Maria Braga fazendo comida na TV e sou adepto do &#8220;faça você mesmo&#8221;, então vamo que vamo).</p>
<p>Lá vai o Dado e seu algodãozinho.</p>
<p>Até consegui tirar alguma coisa, mas o grosso do fungo estava por dentro da lente. Nada que umas minúsculas chaves de fenda que tem aqui em casa não resolvessem.</p>
<p>Peraí, chaves&#8230;  <em>minúsculas</em>?</p>
<p>O quinto parafuso fez com que eu me sentisse como se tivesse acabado de comer um cogumelo gigante da Alice. Mesmo assim, algumas peças sobraram após a minha tentativa de remontar a objetiva.</p>
<p>Ó, meu pai. O jeito foi apelar para o meu irmão. Ele sempre descola uma máquina onde ele trabalha &#8211; para os mais nobres motivos, como a minha matéria sobre grafite, a minha matéria sobre musicoterapia, a minha matéria sobre prostituição&#8230; Já somos até íntimos, a máquina e eu.</p>
<p>Momento de glória: sábado à noite eu descubro que meu domingo não seria perdido (foi quando ele chegou com a tal câmera).</p>
<p>E lá vou eu numa nublada tarde dominical, nem ligando para o fato de que é dia de feira na rua João Guimarães Rosa, ou seja, <em>na</em> praça, e no meio da tarde ela estaria um pouquinho mais fedorenta do que o comum. Tudo bem, né gente. Pra quem já está acostumado com o odor dos dejetos fisiológicos dos moradores de rua, o que seria o chorume do fim da feira?</p>
<p>Consciente de que eu estava no centro de São Paulo, sozinho e fotografando a moradia de dezenas de indigentes, tomei um certo cuidado para ser discreto. De fato eu o estava sendo, evitando <em>tipos suspeitos</em> e tal. O lance é que eu estava na Praça Roosevelt, e <em>&#8220;tipos suspeitos&#8221; e outros conceitos sociais</em> não fazem muito sentido ali. Um ótimo exercício de sociologia, eu diria.</p>
<p>Após captar diversas imagens do fétido baixo da praça (como na foto que ilustra este post), quase chegando na rampa próxima à rua Augusta, um cara com um saco de latinhas grita &#8220;Ei, não pode tirar foto aqui não!&#8221; Ah, querido, nem te ligo. Fiz a egípcia mesmo. Ele continuou: &#8220;NÃO pode tirar foto aqui não!&#8221; Te desprezo.</p>
<p>Daí ele começou a chamar outros mendigos que estavam por ali e apontar para &#8220;o careca com cavanhaque e bolsa de jornalista&#8221; e dizer que &#8220;ele ali tá tirando fotos daqui&#8221;. &#8220;E não pode!&#8221;</p>
<p>Temendo pela minha integridade física e notando que de repente o baixo da Praça Roosevelt estava bem parecido com a cena do <em>Thriller </em>em que os mortos começavam a se levantar da tumba (só que no lugar de mortos-vivos, ali eram mendigos &#8211; embora parte do figurino muito se assemelhasse), decidi sair pela tangente o mais breve possível antes que alguma música começasse a tocar (afinal, quem estava prestes a dançar por ali era eu).</p>
<p>Saio loucamente pela Martinho Prado, entro na Avanhandava, subo uma mega escadaria que vai dar na Caio Prado, volto para a Consolação e resolvo dar por encerrada a minha jornada fotográfica dominical 27 fotos depois de tê-la iniciado.</p>
<p>No caminho, ainda cruzo com um professor que me deu aula há cinco anos (que nunca recuperou sua reputação depois de ter dito para uma turma de 30 garotos heterossexuais de 15 a 17 anos que morava &#8220;na avenida da Parada Gay&#8221;. Gente, era um curso técnico em Mecânica. Coitado). Resolvi continuar minha fuga. Afinal, depois dos <em>zumbis</em>, encontrar um <em>fantasma</em> não era exatamente o que me faria chamar aquilo de <em>desfecho agradável</em>.</p>
<p><em>(Brincadeira. Eu adorava esse professor. Vê-lo só me fez passar a tarde refletindo sobre uma série de coisas. Não tive coragem de ir falar com ele, mas isso é assunto para o meu outro blog.)</em></p>
<p>Enfim, amigos. Acho que precisarei tomar um pouquinho mais de cuidado quando for tirar fotos do que não consegui hoje. De uma coisa eu já sei: sozinho é que eu não vou mais!</p>
<p>Dado</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/inutero.wordpress.com/198/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/inutero.wordpress.com/198/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/inutero.wordpress.com/198/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/inutero.wordpress.com/198/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/inutero.wordpress.com/198/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/inutero.wordpress.com/198/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/inutero.wordpress.com/198/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/inutero.wordpress.com/198/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/inutero.wordpress.com/198/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/inutero.wordpress.com/198/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/inutero.wordpress.com/198/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/inutero.wordpress.com/198/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/inutero.wordpress.com/198/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/inutero.wordpress.com/198/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=inutero.wordpress.com&amp;blog=6314465&amp;post=198&amp;subd=inutero&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
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		<title>Da Paulista à Ipiranga (ou &#8216;A Imersão&#8217;)</title>
		<link>http://inutero.wordpress.com/2009/09/26/da-paulista-a-ipiranga-ou-a-imersao/</link>
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		<pubDate>Sat, 26 Sep 2009 18:47:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Dado</dc:creator>
				<category><![CDATA[Meus botões]]></category>
		<category><![CDATA[Paulista; Ipiranga; centro; São Paulo; SP;]]></category>

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		<description><![CDATA[Dia desses, marquei uma entrevista com Alberto Guzik. Foi uma situação meio irônica, afinal o cara foi jornalista quando eu ainda estava nas fraldas. E também porque ele fez carreira exatamente no jornal onde eu estou tentando buscar um lugar ao sol. E depois de anos de redação, o lado artístico falou mais alto e [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=inutero.wordpress.com&amp;blog=6314465&amp;post=193&amp;subd=inutero&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Dia desses, marquei uma entrevista com Alberto Guzik. Foi uma situação meio irônica, afinal o cara foi jornalista quando eu ainda estava nas fraldas. E também porque ele fez carreira exatamente no jornal onde eu estou tentando buscar um lugar ao sol. E depois de anos de redação, o lado artístico falou mais alto e lá foi Alberto se entregar ao teatro (possibilidade que, devo confessar, já passou pela minha cabeça).</p>
<p>Ah, ele também é o autor de um dos únicos livros que falam sobre Os Satyros, <em>Um palco visceral. </em>Tem um outro, do Ivam Cabral, <em>Quatro textos para um teatro veloz, </em>mas, como o próprio nome sugere, não conta a história da companhia. A Imprensa Oficial também está preparando um outro, que ainda não teve o nome divulgado, com fotografias dos vinte anos do grupo.</p>
<p>Enfim, fui para a casa do Alberto sabendo de tudo isso. Sim, ele me recebeu no próprio apartamento, um lugar muito elegante. Falamos por um pouco mais de uma hora e eu saí já meio com medo dos monstros noturnos que aparecem por São Paulo (ainda mais depois das 21h).</p>
<p>Cheguei em casa vivo, obrigado. O que me chamou atenção no episódio inteiro, além da entrevista em si (Alberto é um verdadeiro lord do teatro) foi o meu dia até a chegada deste momento.</p>
<p>Eu saio meio cedo do trabalho (os horários em uma redação são completamente diferentes de qualquer outro trabalho &#8220;normal&#8221;), então resolvi dar uma passada na Praça Roosevelt antes da hora marcada (também moro bem longe, tanto da praça quanto do jornal, o que faz com que eu precise planejar bem os meus compromissos, para não precisar passar o dia dentro de um ônibus). Passei na padaria Santa Efigênia (só de lembrar daquelas rabanadas&#8230; já tenho coisas), enrolei o quanto pude, mas minha ansiedade me pediu para ir caminhar.</p>
<p>Subi e desci a Rua da Consolação umas duas vezes. Em parte porque eu estava com remorso por causa das guloseimas que acabara de comer (ai, rabanadas&#8230;) e em parte porque eu realmente não fazia ideia de onde era a rua que o Alberto mora &#8211; embora ele tenha me explicado direitinho. Cerca de meia hora antes do combinado, já cansado de caminhar e com o dia já escuro, me enfiei em uma daquelas ruas que cruzam a Paulista e fiz uma das coisas que mais me dão prazer no mundo: sentei-me na calçada.</p>
<p>É incrível como as pessoas ficam alarmadas quando veem alguém fora de um trajeto pré definido. Eu estava ali, sentado em uma elegante rua da cidade, bem próximo a um elegante restaurante, lendo uma revista (<em>tentando </em>ler uma revista, afinal o dia já estava escuro e a luz do poste <em>ain&#8217;t no </em>luz do sol). Já era o suficiente para eu ser olhado meio torto por quase todos os que passassem. Ok, eu entendo completamente o medo que as pessoas têm de bandidos, ainda mais ali onde eu estava. Mas, céus! Este pavor tão descarado não deixa todo mundo muito mais vulnerável?</p>
<p>Levantei porque aquilo estava me incomodando (e a pessoa que passava à minha frente nesta hora quase saiu correndo de medo. Tsc tsc). Fiquei circulando pelo quarteirão. Daí foi outra coisa que chamou atenção. Conhecem o centrão? Não é muito longe dali. É só descer a Consolação ou a Augusta que a gente já chega lá. No entanto, a visão é completamente diferente. Lá em cima, na Paulista, Bela Cintra, Haddock Lobo, todo mundo bem vestido (ou quase), elegante (ou quase), importante (ou lutando para sê-lo). Lá embaixo, gente degradada, senhores com cartazes escrito &#8220;compro ouro&#8221;, sexo fácil &#8211; e barato. Lá em cima, os <em>cults, </em>alternativos que se orgulham por (em suas cabeças) não fazerem parte da massa, do povo. Lá embaixo, povo que é povo e só, que cruza a cidade para chegar ao trabalho &#8211; de balconista, limpador de vidro, operário.</p>
<p>Lá em cima, a estação Brigadeiro, a Paraíso, a Consolação. Lá embaixo, a República, a Anhangabaú, a Sé.</p>
<p>São contrastes &#8211; os tais contrastes de São Paulo. Mas, céus, não estamos a quilômetros e quilômetros de distância. Isso acontece a poucos quarteirões! Basta descer uma rua, apenas uma, para que o glamour da Paulista vire a sujeira da Ipiranga. Os michês do Trianon vão para as caras boates. Os da Praça da República&#8230; e precisa deles com aqueles cinemas pornô ali? Onde, a R$ 10, qualquer homem dá e come anonimamente numa sala escura.</p>
<p>No entanto, mesmo com esta proximidade destes extremos, o simples fato de uma pessoa, também bem vestida e sem nenhum dos estereótipos de bandido, sentar-se na calçada, já é suficiente para causar esta hostilidade gritante, embora silenciosa.</p>
<p>Nesta sociedade, cada um sabe do seu lugar. Não precisa ninguém ensinar.</p>
<p>Descer a consolação não é só descer uma rua. É imergir na história da cidade. É sair da modernidade do progresso da Paulista e ir rumo aos prédios antigos e degradados do centro. É ir intensificando as nuances da cidade &#8211; o mega abismo entre os carrões saindo dos prédios empresariais e os carrinhos de sucata dos mendigos. Mendigos estes que estão por todos os lados, em cima e embaixo. Disso ainda não se livraram ainda, dessa fome sem nome.</p>
<p>É neste contexto que fica a Praça Roosevelt.</p>
<p>Sabem o que ficou na minha cabeça depois disso? A Praça Roosevelt só virou este fenômeno do teatro <em>underground</em> porque ali esta monstruosidade é personagem. O teatro feito ali joga luz no absurdo que é esta prisão que é esta cidade: uma sociedade que não percebe a vida além de seu próprio e belo quarteirão. Talvez os <em>cults </em>lá de cima logo se cansem. Morrendo de medo de ser &#8220;do povo&#8221;, vão embora assim que a Praça perder o <em>hype. </em>Mas, felizmente, e Os Satyros já provaram isso, a arte gera transformações. E estas não vão embora na época que o <em>hype </em>termina.</p>
<p>A entrevista com o Alberto? Infelizmente não posso contar nada aqui. Nem gravada ela não foi. Mas saí de lá com uma sensação boa no coração: Alberto faz todos os dias este caminho, Consolação abaixo, tal como Rodolfo e Ivam também o faziam quando moravam naquele mesmo prédio. E toda esta observação das coisas&#8230; Não é à toa que fizeram o que fizeram com aquele lugar, a Praça.</p>
<p>Indignação nos faz pensar bastante. É daí que vem a arte.</p>
<p>Dado</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/inutero.wordpress.com/193/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/inutero.wordpress.com/193/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/inutero.wordpress.com/193/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/inutero.wordpress.com/193/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/inutero.wordpress.com/193/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/inutero.wordpress.com/193/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/inutero.wordpress.com/193/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/inutero.wordpress.com/193/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/inutero.wordpress.com/193/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/inutero.wordpress.com/193/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/inutero.wordpress.com/193/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/inutero.wordpress.com/193/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/inutero.wordpress.com/193/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/inutero.wordpress.com/193/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=inutero.wordpress.com&amp;blog=6314465&amp;post=193&amp;subd=inutero&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>Tentaram me tirar da festa libertina, mas eu disse &#8216;não, não, não&#8217; (ou &#8216;a noite em que Amy Winehouse atirou a peruca na minha cara&#8217;)</title>
		<link>http://inutero.wordpress.com/2009/06/28/tentaram-me-tirar-da-festa-libertina-mas-eu-disse-nao-nao-nao-ou-a-noite-em-que-amy-winehouse-atirou-a-peruca-na-minha-cara/</link>
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		<pubDate>Sun, 28 Jun 2009 16:42:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Dado</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Eu já tinha ouvido falar nas festas dos Satyros. Teve um tempo que rolava a Festa na Boate (o Espaço dos Satyros Dois é uma antiga boate), com direito a show de sexo explícito e tudo. Numa cena bastante emblemática para o enredo da coisa, Dimi Cabral, irmão do Ivam, teria cantado uma versão de Devolva-me, em [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=inutero.wordpress.com&amp;blog=6314465&amp;post=187&amp;subd=inutero&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://inutero.files.wordpress.com/2009/06/festa-trilo.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-188" title="festa trilo" src="http://inutero.files.wordpress.com/2009/06/festa-trilo.jpg?w=390&#038;h=270" alt="festa trilo" width="390" height="270" /></a></p>
<p>Eu já tinha ouvido falar nas festas dos Satyros. Teve um tempo que rolava a Festa na Boate (o Espaço dos Satyros Dois é uma antiga boate), com direito a show de sexo explícito e tudo. Numa cena bastante <em>emblemática</em> para o <em>enredo da coisa, </em>Dimi Cabral, irmão do Ivam, teria cantado uma versão de <em>Devolva-me, </em>em que dizia &#8220;Rasgue as minhas pregas e&#8230; não me procure mais&#8230;&#8221; Uma loucura.</p>
<p>A festa que rolou na última madrugada não chegou a tanto. Foi o Bota Fora da Trilogia Libertina. Os Satyros estão prestes a partir para o Rio, para levar os espetáculos <em>Liz, Monólogo da Velha Apresentadora, </em>e a Trilogia Libertina &#8211; <em>A filosofia na alcova, 120 dias de Sodoma </em>e <em>Justine. </em>Daí  fizeram uma despedida. Enquanto o pessoal pagava a entrada, Rodolfo dizia animado: &#8220;Agora a gente não passa fome!&#8221; (vale lembrar o perrengue que rolou com eles quando partiram para a Europa &#8211; mas isso é assunto para outros posts).</p>
<p>Já nas escadas, para descer para o porão-boate-teatro, um aviso, escrito em giz: &#8220;<em>bienvenue au boudoir</em>.&#8221; Bebidas? Muitas, com nomes bem sugestivos. &#8220;Tesão de Sade&#8221;, &#8220;Cu[ba] Libre&#8221;, além de sei-lá-o-quê de &#8220;Me[n]ta&#8221;. Na bilheteria, um libertino vestido a caráter. Parecia saído de <em>120 dias. </em>O cara usava um sobretudo roxo, todo ornamentado, botas de sola grossa e uma calça&#8230; não, o cara estava sem calça, com uma boxer bordô.<em> </em>&#8220;Vocês estão prestes a entrar no castelo de Silling [onde os amigos libertinos aprisionam os jovens em <em>120 dias</em>]. Agora precisam decidir se querem ser libertinos ou se querem ser vítimas.&#8221; Adivinhem o que as pessoas ali queriam ser.</p>
<p>(Pausa para o relato da <em>Teoria da Dissonância Cognitiva: </em>Ana Raquel diz &#8220;Frio nas pernocas?&#8221; Libertino faz pausa de alguns segundos, e responde um cordial &#8221;Obrigado&#8221;. Vai entender.)</p>
<p>Os próprios atores comandavam o bar, a chapelaria e o som &#8211; tudo muito colaborativo. Rodolfo chegou a alertar: &#8220;Vocês vão conhecer a Cláudia Leitte!&#8221; Como assim, Rô? Axé numa festa libertina? &#8220;Mas é a Cláudia Leitte da Praça!&#8221; Ah, bom.</p>
<p>Alguns ex-homens realmente subiram ao palco para performances de dublagem. Uma loucura. Cada modelito&#8230; Teve até um rapaz do bar do Satyros Um (na hora que ele apareceu, alguém gritou &#8220;Olha lá, parece o André!&#8221;). Mas quem roubou a cena mesmo foi a Amy Winehouse. A atriz Erika Forlim encorporou a diva bêbada como ninguém. Subia no palco e fazia sinais na garganta, tentando gritar &#8220;TÔ SEM VOZ!&#8221;, até que o Ivam resolveu roubar a cena, fazendo o que sempre faz (dizem as más línguas) nas festas dos Satyros: abaixar as calças.</p>
<p>Uma loucura.</p>
<p>Daí, depois que uns cinco homens subiram para encoxar a Amy (e o Henrique Mello resolveu enfiar a cabeça debaixo da saia dela &#8211; uma loucura), ela resolveu rasgar a fantasia. Deve ter olhado para a plateia e se perguntado &#8220;quem será que precisa de um mega tufo de cabelo, hein?&#8221;, e nesta hora me viu. &#8220;Ah, aquele careca ali!&#8221; Batata. Eu, conversando com o povo, nem pude ver aquela tonelada de cabelo vindo em minha direção. Foi em cheio na cara. Dado o volume capilar, compreendam que eu quase fui ao chão (Amy, querida, como é que você equilibra isso na cabeça?).</p>
<p>Na pista, muito Michael Jackson (querido, para sempre em nossos corações), inclusive, foi a primeira música da noite. O DJ pára tudo e pergunta &#8220;Tem alguém bêbado aí?&#8221;. Quem sabe a pergunta era se tinha alguém que <em>não estava </em>bêbado ali. Quando começou a tocar <em>Thriller, </em>quem aparece? Erika. De Amy? Não, de indiana<em>.</em> Foi uma mistura de Maya de <em>Caminho das Índias</em> com passeio de canga na praia, tudo <em>em clima de muita sensualidade. </em>Uma loucura.</p>
<p>Alguns hits dos Backstreet Boys, Spice Girls e Britney Spears depois, era hora de recarregar &#8211; porque né? Saí da pista deixando meu casaco num cafofo que dá acesso ao camarim (sem ter notado a existência de uma chapelaria na festa). Acabei ficando pelo bar mesmo. Encontrei algumas pessoas, com quem fui confabular sobre o livro (ja tem até título, sabia?). Aliás, Carmem, Giza, Erika e Samira, um beijo &#8211; vocês são umas fofas.</p>
<p>Também encontramos o Ivam, <em>bem louco, </em>no caminho do banheiro, mas ele estava num estado que me impede de tentar reproduzir o diálogo que se seguiu.</p>
<p>Dia clareando, a festa já ficando vazia (por que será que nessas horas sempre tocam as músicas mais legais?) um povo dormindo nos cantos&#8230; Vamos embora? Vamos. Lá vai o Dado buscar o casaco no cafofo. Em vez do casaco, o que encontro? Um pessoal se pegando geral. Jesus, uma loucura. Segundo meu irmão, são quase sinônimos: &#8220;cafofo&#8221; + &#8220;festa&#8221; = &#8220;abate&#8221; (adicione à equação a variável &#8220;libertina&#8221; que o resultado fica imprevisível). A ética jornalistica não me permite citar <em>quem </em>estava <em>bem louca</em> e <em>sem sutiã, liberando geral</em> lá dentro. Três palavras: <em>se joga, mona.</em></p>
<p>Enfim, assim terminou a minha noite libertina. Se alguém encontrar um casaco preto meio amassado, meio <em>embebido em álcool, </em>por favor<em> </em>me liga. Sobre o que rolou, só digo o seguinte: foi uma loucura.</p>
<p>Pessoal, estamos aguardando a próxima!</p>
<p>Dado</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/inutero.wordpress.com/187/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/inutero.wordpress.com/187/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/inutero.wordpress.com/187/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/inutero.wordpress.com/187/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/inutero.wordpress.com/187/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/inutero.wordpress.com/187/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/inutero.wordpress.com/187/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/inutero.wordpress.com/187/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/inutero.wordpress.com/187/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/inutero.wordpress.com/187/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/inutero.wordpress.com/187/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/inutero.wordpress.com/187/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/inutero.wordpress.com/187/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/inutero.wordpress.com/187/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=inutero.wordpress.com&amp;blog=6314465&amp;post=187&amp;subd=inutero&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">festa trilo</media:title>
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	</item>
		<item>
		<title>O dia em que conheci Vinícius de Morais &#8211; e ele cantou &#8216;O Canto de Ossanha&#8217; para mim (ou &#8216;Os cães da Praça Roosevelt, parte 1&#8242;)</title>
		<link>http://inutero.wordpress.com/2009/06/22/o-dia-em-que-conheci-vinicius-de-morais-e-ele-cantou-o-canto-de-ossanha-pra-mim-ou-os-caes-da-praca-roosevelt-parte-1/</link>
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		<pubDate>Tue, 23 Jun 2009 01:37:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Dado</dc:creator>
				<category><![CDATA[Meus botões]]></category>
		<category><![CDATA[Praça Roosevelt]]></category>

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		<description><![CDATA[Conheci dois mendigos na Praça Roosevelt no último dia 12, uma fria &#8211; e bota fria nisso &#8211; sexta, enquanto fuçava os fivros do Sebo do Bac. Eram uma mulher e um rapaz. A mulher devia ter cerca de 1,60 m, cabelos raspados, uma blusa vermelha e, segundo ela, 39 anos (&#8220;Com essa cútis?&#8221;, perguntei, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=inutero.wordpress.com&amp;blog=6314465&amp;post=182&amp;subd=inutero&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Conheci dois mendigos na Praça Roosevelt no último dia 12, uma fria &#8211; e bota fria nisso &#8211; sexta, enquanto fuçava os fivros do Sebo do Bac.</p>
<p>Eram uma mulher e um rapaz. A mulher devia ter cerca de 1,60 m, cabelos raspados, uma blusa vermelha e, segundo ela, 39 anos (&#8220;Com essa cútis?&#8221;, perguntei, e ela: &#8220;É, mas com barriguinha de pochete&#8221;). Vestida com roupas simples, mas muito limpa.</p>
<p>Ela se apresentou, dizendo &#8220;Olá, eu sou Yvone, a mendiga mais chique de São Paulo&#8221;, e nos cumprimentou, se referindo a cada um como &#8220;moço bonito!&#8221;. Pediu um cigarro, um salgado, um dinheiro, uma cachaça, qualquer coisa. &#8220;Eu sou escritora, autora do livro <em>Ninguém me quer: do Sergipe a São Paulo</em>.&#8221; Eu, como sou chegado em gente com histórias pra contar, comecei a dar corda:</p>
<p>&#8220;Então você vem do Sergipe?&#8221;, &#8220;Venho. Meu pai abandonou a minha mãe. Viemos para São Paulo. Minha mãe conheceu meu padrasto. Fui estuprada pelo meu padrasto dos sete aos 14 anos&#8230;&#8221;, e por aí foi.</p>
<p>&#8212;</p>
<p>&#8220;Ainda peguei Aids. É mole?&#8221;</p>
<p>&#8212;</p>
<p>Enquanto falava comigo, o rapaz &#8211; que tinha chegado com ela &#8211; conversava com Anselmo (mas não recebia a mesma atenção que eu estava dando para Yvone). Dada a aparente impaciência do interlocutor, o rapaz começou a interromper a fala de Yvone. Ela ficou meio brava. &#8220;Puta merda, cara problemático. Olha só, eu sou prima desse moleque. Conheço ele desde que nasceu. Rapaz de 22 anos, problemático. 22 anos é assim mesmo, cara com problema.&#8221; Daí os dois começaram a gritar e ninguém mais conseguia se fazer compreender.</p>
<p>&#8211;</p>
<p>No meio da gritaria, só deu pra ver o rapaz levantar a barra de um dos lados da calça e mostrar a tatuagem feita na bela perna. &#8220;Isso aqui sou eu que desenho. Eu sou artista!&#8221;. Daí eu perguntei &#8220;Mas você tatuou em você mesmo?&#8221;, e ele, meio noiado &#8220;Eu fiz a metade e o outro fez a metade&#8221; &#8211; algo que eu não entendi muito bem, mas beleza. Alguns gritos depois, ele se cansou, levantou e saiu andando com um lado da calçca mais alto que o outro.</p>
<p>&#8211;</p>
<p>Yvone continuou comigo. &#8220;Vou escrever um negócio pra você. Um negócio bem chique. Vou te passar meu MSN e meu orkut.&#8221; Pegou um papel da mão do Anselmo e começou a rabiscar. &#8220;Toma. Lê&#8221;, me deu o papel. Mas quando fui guardar, ela disse &#8220;Lê agora!&#8221;. Li.</p>
<p>&#8220;Por favor, poderia me ajudar com um salgado?&#8221; No verso, dois endereços de MSN, um número de telefone, e a explicação: &#8220;Moradora de rua do Paissandu. Doença Grátis.&#8221;</p>
<p>&#8211; </p>
<p>Guardei o papel. Ela pegou meu braço e fez a feição mais desesperada que pôde: &#8220;A Prefeitura fechou oito abrigos públicos. Acho que o Kassab quer abrir um brechó: toda noite vem alguém roubar nosso cobertor!&#8221;.</p>
<p>&#8211;</p>
<p>Antes de ir embora, um último apelo: &#8220;Se tiver um cobertor sobrando, uma blusa de frio, um cachecou, manda pra mim, vai! Eu moro ali atrás da floricultura.&#8221;</p>
<p>&#8211;</p>
<p>&#8220;Vê se pode? Com uma vida dessas, ainda tenho leucemia.&#8221;</p>
<p>&#8212;</p>
<p>&#8220;É um desses todo dia?&#8221;, perguntei para o Anselmo. &#8220;Deus que me livre! Se fosse, eu já tinha saído daqui&#8221;, disse, pegando o livro que estava lendo (<em>Pornopopeia</em>) e indo para dentro do teatro.</p>
<p>&#8212;</p>
<p>A confusão com a chegada desses dois foi meio bizarra, mas depois que Yvone foi embora, a conversa que tive com o rapaz rendeu bastante. Como eu me perdi um pouco no pensamento dele - o pobre estava visivelmente sob efeito de drogas -, vou colocar algumas das frases que me fizeram conversar com ele por quase uma hora:</p>
<p>&#8212;</p>
<p>&#8220;Cara, eu fiz uma coisa que eu sei que tá errada.&#8221;, &#8220;Me conta&#8221;, eu disse. &#8220;Eu tava comendo uma mina, daí eu falei &#8216;vou ali tomar um conhaque&#8217;. Peguei vinte conto na bolsa dela, peguei o cartão dela, deixei minha cueca lá, saí e ela deve estar esperando até agora.&#8221;</p>
<p>&#8220;Como assim? A que horas foi isso?&#8221; Ele explicou: &#8220;Foi meio-dia. Peguei ela na Augusta&#8221; &#8220;Era puta?&#8221; &#8220;Não, mas era dada. Queria dar pra alguém.&#8221; &#8220;E foi bom?&#8221; &#8220;Mais pra ela do que pra mim.&#8221;</p>
<p>&#8212;</p>
<p>&#8220;Me paga uma pinga aê. Tou há quatro noites sem dormir. Preciso de uma pinga.&#8221;</p>
<p>&#8212;</p>
<p>&#8220;Eu tenho casa. Moro em Higienópolis. Faço faculdade.&#8221;</p>
<p>&#8212;</p>
<p>&#8220;Minha mãe é a única que ainda acredita em mim.&#8221;</p>
<p>&#8212;</p>
<p>Perguntei: &#8220;E porque você não vai para a sua casa?&#8221;</p>
<p>Ele diz: &#8220;Porque minha mãe não vai abrir a porta pra mim.&#8221;</p>
<p>E continua: &#8220;Por causa da droga.&#8221;</p>
<p>&#8212;</p>
<p>&#8220;Meu nome é Vinícius de Moraes. &#8216;Pergunte pro seu orixá: o amor só é bom se doer&#8217;. Tou te zuando. É Marcos Vinícius de Moraes.&#8221;</p>
<p>&#8212;</p>
<p>&#8220;Tem gente que não acredita. Eu faço viagem astral&#8221;</p>
<p>&#8212;</p>
<p>O que mais me deixou com pena: &#8220;Sabe, eu estou conversando aqui com você porque você me dá atenção.&#8221;</p>
<p>&#8212;</p>
<p>O que me fez rir contente: &#8220;Comprei essa rosa pra dar de presente pra uma mina. Porque é bom, né, fazer uma gentileza. As meninas gostam. Aquela ali é gatinha, né?&#8221;. Eu disse &#8220;Gostou? Vai lá, dá a rosa pra ela!&#8221; Ele foi. Ficou uns minutos lá. Deu a minha hora. Entrei no teatro.</p>
<p>Quando saí, duas horas depois, ele ainda estava conversando com a menina. Ela tinha a rosa na mão.</p>
<p>Sorri pra ele, como quem diz &#8220;ehe, garanhão&#8221;, mas acho que já não lembrava mais de mim.</p>
<p>Dado</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/inutero.wordpress.com/182/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/inutero.wordpress.com/182/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/inutero.wordpress.com/182/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/inutero.wordpress.com/182/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/inutero.wordpress.com/182/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/inutero.wordpress.com/182/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/inutero.wordpress.com/182/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/inutero.wordpress.com/182/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/inutero.wordpress.com/182/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/inutero.wordpress.com/182/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/inutero.wordpress.com/182/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/inutero.wordpress.com/182/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/inutero.wordpress.com/182/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/inutero.wordpress.com/182/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=inutero.wordpress.com&amp;blog=6314465&amp;post=182&amp;subd=inutero&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Um alô, Liz e Além do Horizonte</title>
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		<pubDate>Fri, 08 May 2009 14:36:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Dado</dc:creator>
				<category><![CDATA[Meus botões]]></category>
		<category><![CDATA[Os Satyros]]></category>
		<category><![CDATA[Além do Horizonte; Liz; Sesc Paulista; estreia]]></category>

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		<description><![CDATA[Caros assíduos leitores do In Utero (pai, mãe, professor orientador, um beijo), Passei só para dar um alô e dizer que ainda estamos vivos. Seguinte: hoje Os Satyros estreiam Liz, no Sesc Avenida Paulista. Não tem mais ingressos há um tempão. Quando eu liguei, na segunda-feira, só tinha oito lugares (!) para a apresentação de sábado. Desta vez, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=inutero.wordpress.com&amp;blog=6314465&amp;post=179&amp;subd=inutero&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caros assíduos leitores do <strong>In Utero </strong>(pai, mãe, professor orientador, um beijo),</p>
<p>Passei só para dar um alô e dizer que ainda estamos vivos. Seguinte: hoje Os Satyros estreiam <em>Liz</em>, no Sesc Avenida Paulista. Não tem mais ingressos há um tempão. Quando eu liguei, na segunda-feira, só tinha oito lugares (!) para a apresentação de sábado. Desta vez, não vi os ensaios. Mas assim que eu ver a peça e trocar umas figurinhas com o Rodolfo e com o Ivam, posto aqui o que eu achei.</p>
<p>Para quem quiser ir: Sesc Avenida Paulista. Av. Paulista, 119, tel. 0/xx/11/3179-3700. As apresentações serão nas sextas, sábados e domingos, às 21h30min, até o fim do mês. Os ingressos custam de R$ 5 a R$ 20. Já vou adiantando: a estreia está esgotada. Mas tem para os outros dias.</p>
<p>Domingo tem outra estreia dos Satyros, mas em vez dos palcos, esta é na TV: a minissérie <em>Além do Horizonte</em>, na TV Cultura, como parte do Projeto Direções. O roteiro é de Ivam Cabral e a direção, de Rodolfo Garcia Vázquez. Domingo, às 22h. São quatro episódios.</p>
<p>Enfim. Por aqui, as pesquisas continuam a todo vapor. Em breve, o <strong>In Utero </strong>começa uma série de posts sobre a Praça Roosevelt e sobre as peças <em>A Filosofia na Alcova </em>e <em>Os 120 dias de Sodoma.</em></p>
<p>Até lá.</p>
<p>Dado</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/inutero.wordpress.com/179/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/inutero.wordpress.com/179/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/inutero.wordpress.com/179/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/inutero.wordpress.com/179/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/inutero.wordpress.com/179/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/inutero.wordpress.com/179/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/inutero.wordpress.com/179/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/inutero.wordpress.com/179/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/inutero.wordpress.com/179/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/inutero.wordpress.com/179/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/inutero.wordpress.com/179/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/inutero.wordpress.com/179/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/inutero.wordpress.com/179/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/inutero.wordpress.com/179/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=inutero.wordpress.com&amp;blog=6314465&amp;post=179&amp;subd=inutero&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">Dado</media:title>
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	</item>
		<item>
		<title>Desnudando Justine</title>
		<link>http://inutero.wordpress.com/2009/05/03/desnudando-justine/</link>
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		<pubDate>Sun, 03 May 2009 14:23:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Dado</dc:creator>
				<category><![CDATA[Desnudando Justine]]></category>
		<category><![CDATA[Espetáculo]]></category>
		<category><![CDATA[Os Satyros]]></category>
		<category><![CDATA[Justine; Os Infortúnios da Virtude; Marquês de Sade]]></category>

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		<description><![CDATA[Se você perdeu o especial do In Utero para a montagem de Justine feita pelos Satyros, acompanhe todas as partes pelos links abaixo. Para quem quiser ler uma das versões da obra, aqui tem um arquivo em PDF. 0 O fim da Trilogia Libertina 1 Vícios e Virtudes 2 Senhor du Harpin, o velho sovina 3 Dubois, a [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=inutero.wordpress.com&amp;blog=6314465&amp;post=169&amp;subd=inutero&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://inutero.files.wordpress.com/2009/05/justine.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-174" title="justine" src="http://inutero.files.wordpress.com/2009/05/justine.jpg?w=390&#038;h=665" alt="justine" width="390" height="665" /></a></p>
<p>Se você perdeu o especial do <strong>In Utero</strong> para a montagem de <em>Justine </em>feita pelos Satyros, acompanhe todas as partes pelos links abaixo. <a href="http://www.scribd.com/doc/4789892/Marques-de-Sade-Justine-ptbr">Para quem quiser ler uma das versões da obra, aqui tem um arquivo em PDF.</a></p>
<p><a href="http://inutero.wordpress.com/2009/04/19/o-fim-da-trilogia-libertina-ou-desnudando-justine-parte-1/">0 O fim da Trilogia Libertina</a><br />
<a href="http://inutero.wordpress.com/2009/04/20/vicios-e-virtudes-ou-desnudando-justine-parte-1/">1 Vícios e Virtudes</a><br />
<a href="http://inutero.wordpress.com/2009/04/21/senhor-du-harpin-o-velho-sovina-ou-desnudando-justine-parte-2/">2 Senhor du Harpin, o velho sovina<br />
</a><a href="http://inutero.wordpress.com/2009/04/22/dubois-a-prisioneira-parte-1-o-incendio-e-os-ladroes-ou-desnudando-justine-parte-3/">3 Dubois, a prisioneira (parte 1), o incêndio e os ladrões</a><br />
<a href="http://inutero.wordpress.com/2009/04/23/marques-de-bressac-o-devasso-e-seu-vicio-de-amar-homens/">4 Marquês de Bressac, o devasso, e seu vício de amar homens</a><br />
<a href="http://inutero.wordpress.com/2009/04/24/130/">5 Senhor Rodin, o médico</a><br />
<a href="http://inutero.wordpress.com/2009/04/25/padre-rafael-parte-1-e-o-convento-dos-devassos-ou-desnudando-justine-parte-6/">6 Padre Rafael (parte 1) e o convento dos devassos</a><br />
<a href="http://inutero.wordpress.com/2009/04/26/dalville-o-falsario-e-o-moinho-ou-desnudando-justine-parte-7/">7 Dalville, o falsário, e o moinho</a><br />
<a href="http://inutero.wordpress.com/2009/04/29/dubois-a-baronesa-parte-2-no-albergue-e-dubreuil-a-vitima-senhora-bertrand-padre-rafael-parte-2-e-o-julgamento-ou-desnudando-justine-partes-8-9-e-10/">8 Dubois, a baronesa (parte 2), no albergue, e Dubreuil, a vítima<br />
9 Senhora Bertrand<br />
10 Padre Rafael (parte 2) e o julgamento</a><br />
<span style="color:#000000;"><a href="http://inutero.wordpress.com/2009/05/03/blasfemia-o-trovao-a-nova-juliette-ou-desnudando-justine-partes-11-12-e-13/">11 Blasfêmia?<br />
12 O trovão<br />
13 A nova Juliette</a></span></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/inutero.wordpress.com/169/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/inutero.wordpress.com/169/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/inutero.wordpress.com/169/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/inutero.wordpress.com/169/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/inutero.wordpress.com/169/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/inutero.wordpress.com/169/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/inutero.wordpress.com/169/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/inutero.wordpress.com/169/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/inutero.wordpress.com/169/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/inutero.wordpress.com/169/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/inutero.wordpress.com/169/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/inutero.wordpress.com/169/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/inutero.wordpress.com/169/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/inutero.wordpress.com/169/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=inutero.wordpress.com&amp;blog=6314465&amp;post=169&amp;subd=inutero&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">Dado</media:title>
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			<media:title type="html">justine</media:title>
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	</item>
		<item>
		<title>Blasfêmia?; O trovão; A nova Juliette (ou &#8216;Desnudando Justine, partes 11, 12 e 13&#8242;)</title>
		<link>http://inutero.wordpress.com/2009/05/03/blasfemia-o-trovao-a-nova-juliette-ou-desnudando-justine-partes-11-12-e-13/</link>
		<comments>http://inutero.wordpress.com/2009/05/03/blasfemia-o-trovao-a-nova-juliette-ou-desnudando-justine-partes-11-12-e-13/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 03 May 2009 14:12:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Dado</dc:creator>
				<category><![CDATA[Desnudando Justine]]></category>
		<category><![CDATA[Espetáculo]]></category>
		<category><![CDATA[Os Satyros]]></category>
		<category><![CDATA[Justine; Os Infortúnios da Virtude; Marquês de Sade]]></category>

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		<description><![CDATA[1 Vícios e Virtudes 2 Senhor du Harpin, o velho sovina 3 Dubois, a prisioneira (parte 1), o incêndio e os ladrões 4 Marquês de Bressac, o devasso, e seu vício de amar homens 5 Senhor Rodin, o médico 6 Padre Rafael (parte 1) e o convento dos devassos 7 Dalville, o falsário, e o [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=inutero.wordpress.com&amp;blog=6314465&amp;post=166&amp;subd=inutero&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>1 Vícios e Virtudes<br />
2 Senhor du Harpin, o velho sovina<br />
3 Dubois, a prisioneira (parte 1), o incêndio e os ladrões<br />
4 Marquês de Bressac, o devasso, e seu vício de amar homens<br />
5 Senhor Rodin, o médico<br />
6 Padre Rafael (parte 1) e o convento dos devassos<br />
7 Dalville, o falsário, e o moinho<br />
8 Dubois, a baronesa (parte 2), no albergue, e Dubreuil, a vítima<br />
9 Senhora Bertrand<br />
10 Padre Rafael (parte 2) e o julgamento<br />
<span style="color:#ff0000;">11 Blasfêmia?<br />
12 O trovão<br />
13 A nova Juliette</span></p>
<p><span style="color:#ff0000;">ATENÇÃO: SPOILERS!</span></p>
<p>Chegamos hoje à última parte do Desnudando Justine. Se você ainda não viu a peça e não quer saber do final antecipadamente, não leia!</p>
<p><a href="http://inutero.files.wordpress.com/2009/05/justine-trovao2.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-167" title="justine-trovao2" src="http://inutero.files.wordpress.com/2009/05/justine-trovao2.jpg?w=390&#038;h=259" alt="justine-trovao2" width="390" height="259" /></a></p>
<p>Lá no começo do livro, quando Justine/Sofie vai começar a contar sua história, visto que reluta a contar, diz:</p>
<blockquote><p>Contar-vos a história de minha vida (&#8230;) é oferecer-vos o exemplo mais flagrante das desgraças da inocência e da virtude. É acusar a Providência, não é queixar-se, é uma espécie de crime e não me atrevo&#8230;</p></blockquote>
<p>Depois de tanto sofrer involuntariamente, sequer contar sua história Sofie quer. Veja: Sofie não quer pecar ao contar dos próprios atos da Providência &#8211; os próprios atos divinos em sua vida a obrigariam a blasfemar e ela não quer. Veja como Sofie se defende do próprio deus em quem ela acredita. Apesar de ocorrer no comecinho do livro, na linha do tempo este é um dos últimos fatos.</p>
<p>Ela acaba cedendo e conta toda a lista de infortúnios que já vimos em Desnudando Justine. Porém, agora no fim da nossa jornada, devo ressaltar que o livro possui várias versões. A que vocês viram aqui no <strong>In Utero</strong> é apenas uma. Foi mais ou menos a utilizada pelos Satyros, com inserções das outras, como a moça que abre a narrativa, falando que a história que se segue deve ajudar a ponderar sobre os Vícios e as Virtudes. E o fim também. Mas já chego lá.</p>
<p>Justine/Sofie termina o relato de sua vida para a Madame de Lorsange. O dia amanhece e ela já espera pela sua morte certa.</p>
<blockquote><p>Não a temo mais; ela abreviará meus tormentos, acabará com eles. Só pode temê-la o ser feliz cujos dias correm puros e serenos. Mas para a desgraçada criatura que só pisou em cobras, cujos pés sangrentos só percorreram caminhos espinhosos, que só conheceu os homens apenas para odiá-los, que só viu o facho do dia apenas para detestá-lo, aquela a quem reveses cruéis roubaram os pais, fortuna, socorro, proteção, amigos; aquela que nada tem no mundo senão lágrimas para beber e tribulações para nutrir-se&#8230; esta, eu vos digo, deve dirigir-se para a morte sem tremer; ela a deseja como a um porto seguro onde a tranqüilidade renascerá para ele no seio de um deus justo demais para permitir que a inocência aviltada e perseguida nesta terra não encontre um dia, no céu, a recompensa pelas suas lágrimas.</p></blockquote>
<p>Note que, apesar de ter perdido completamente a esperança no mundo, ela não perde a ideia de que sua próxima vida, no céu, será bem melhor. Esta certeza, como vimos, levou Justine/Sofie a deixar de tomar muitas atitudes durante seu caminho.</p>
<p>A Madade de Lorsange e o Senhor de Corville, seu marido, ficaram comovidos. Juliette/Lorsange, mesmo com tantos crimes da juventude, não perdera a sensibilidade. Por causa de um sentimento inexplicável, Lorsange se sentia ligada a Sofie.</p>
<blockquote><p>Vós me haveis ocultado vosso nome, Sofie, e também vosso nascimento; eu vos imploro para que me reveleis vosso segredo. Não imaginai que seja apenas vã curiosidade que me leva a falar-vos assim. Se o que suspeito é verdade &#8230; Oh, Justine, se fôsseis minha irmã!</p>
<p>— Justine &#8230; madame, que nome!</p>
<p>— Ela hoje teria vossa idade.</p>
<p>— Oh, Juliette, é a vós que escuto, disse a infeliz prisioneira lançando-se nos braços da Senhora de Lorsange, tu&#8230; minha irmã! Oh, meu Deus, como blasfemei. Duvidei da Providência&#8230; Ah, morrerei bem menos infeliz pois pude abraçar-te mais uma vez.</p></blockquote>
<p>As duas se abraçaram aos prantos. O Senhor de Corville, também emocionado, saiu do aposento para escrever uma carta atestando a inocência de Justine, utilizando a sua rede de contatos.</p>
<p>Até que o caso fosse completamente esclarecido, Justine ficaria sob a guarda do Senhor de Corville, em seu castelo, junto com a irmã, Juliette.</p>
<p>Justine passou a ser a pessoa mais paparicada da casa, tudo para apagar de sua vida os dias ruins. Os melhores pratos, as melhores camas&#8230; Juliette e o marido não poupavam esforços para fazê-la feliz. Até a famigerada marca feita por Rodin foi feita desaparecer, pelas mãos de um artista. O sofrimento já sumia do rosto de Justine &#8211; e as cores voltavam. Sua virtude resplandecia como nunca.</p>
<p>Depois de um tempo, o Senhor de Corville conseguiu finalmente limpar a barra de Justine. Nenhuma acusação, tudo resolvido.</p>
<p>Mas o estado de espírito de Justine mudou de repente. Sombria, inquieta, chorosa:</p>
<blockquote><p>Não nasci para tanta felicidade, dizia ela às vezes para a Senhora de Lorsange&#8230; Oh, minha querida irmã, é impossível que ela possa durar.</p></blockquote>
<p>Era como se, acostumada a ter um pouco de bem antes de muito mal, já prevesse um destino ainda mais cruel.</p>
<p>Até que um dia, na casa de campo, arma-se uma terrível tempestade. Juliette morre de medo de raios. Justine vai fechar uma das janelas, lutando contra o vento.</p>
<p>Então um clarão.</p>
<p>Justine é atingida por um raio, que a joga sem vida no meio do salão.</p>
<p>Aqui nós temos algumas versões. Em uma delas, o raio entra pelo seio direito e sai pela boca, desfigurando seu rosto. Na outra, o raio entra pela boca e sai pela vagina (o que gera a piadinha entre os libertinos de que os céus teriam poupado o traseiro de Justine). Numa terceira versão, enquanto ia à missa, Justine é atingida por um raio que não a poupa como o anterior: rompe da boca ao ânus. Em outra, o raio entra pelo seio e sai pelo ventre (não sem deixar a cara desfigurada).</p>
<p>O Senhor de Corville não quer deixar que a esposa veja a irmã daquele jeito, mas Juliette quer a todo custo:</p>
<blockquote><p>(&#8230;) Deixa-me vê-la por um instante. Tenho necessidade de contemplá-la para me dar forças na resolução que tomei; escutaime, senhor, e não recuseis a atitude que vou tomar e da qual nada no mundo me fará desistir.</p>
<p>As desgraças inauditas que essa infeliz sofreu, embora tenha sempre respeitado a virtude, têm qualquer coisa de extraordinário, senhor, para que eu não abra os olhos para mim mesma. Não imagineis que esteja cega aos falsos brilhos de felicidade que vimos desfrutar durante suas aventuras aqueles perversos que a atormentaram. Estes caprichos da sorte são enigmas da Providência que não devemos desvendar, mas que jamais nos devem seduzir; a prosperidade do perverso não é senão uma prova à qual a Providência nos submete, ela é como o raio cujos fogos ilusórios embelezam por instantes a atmosfera apenas para precipitar nos abismos da morte os infelizes a quem fascina&#8230; Eis aí o exemplo aos nossos olhos; calamidades seguidas, desgraças espantosas e ininterruptas desta jovem infeliz são um aviso que o eterno me dá de me arrepender dos meus erros, de escutar a voz dos meus remorsos e de lançar-me, enfim, nos seus braços. Que tratamento devo eu temer dele, eu&#8230; cujos crimes vos fariam tremer, se os conhececeis&#8230; ou cuja libertinagem, irreligião, abandono de todos os princípios marcaram cada instante da vida&#8230; o que devo esperar, se é assim que tratam aquela que não cometeu um único erro voluntário que lhe trouxesse o arrependimento.</p>
<p>Separemo-nos, senhor, chegou a hora&#8230; nenhum elo nos liga, esquecei de mim e concordai que eu siga um atalho eterno para abjurar aos pés do ser supremo as infâmias com que me conspurquei. Este golpe terrível para mim era, não obstante, necessário para minha conversão nesta vida, e para a felicidade que ouso esperar na outra. Adeus, senhor, não mais me vereis. O último sinal que espero da vossa amizade é o de que não façais nenhuma indagação para saber o que aconteceu comigo; espero-vos num mundo melhor, vossas virtudes devem conduzi-lo até ele e possam as macerações do lugar onde vou, para expiar meus crimes, passar os anos infelizes que ainda me restam, permitir-me rever-vos um dia.</p></blockquote>
<p>Juliette faz as malas, pega algum dinheiro e parte para o Convento das Carmelitas, em Paris. Lá, se torna exemplo de costumes e sabedoria.</p>
<p>O Marquês de Sade, tido como tão libertino, encerra a narrativa assim:</p>
<blockquote><p>Oh, vós que ledes esta história, possais tirar dela o mesmo proveito que aquela mulher mundana e corrigida; possais convencer-vos com ela que a verdadeira felicidade está somente no seio da virtude, e que se Deus quer que ela seja perseguida na terra, e para preparar no céu a mais faustosa recompensa.</p></blockquote>
<p>Esta seria uma versão mais branda, visto que Deus é defendido. Assim, a morte de Justine seria realmente uma recompensa (Deus &#8211; o raio &#8211; entra pelo peito e sai pela boca: toda a fé &#8211; peito &#8211; de Justine era proferida a quem quisesse fazer o mal &#8211; boca). Nas outras versões, porém, o raio é a natureza, e Justine é um mero objeto: os próprios raios a atacam de maneira libertina e Justine é punida por não se submeter às leis da natureza (a libertinagem).</p>
<p>O fim utilizado pelos Satyros é o que o raio entra pela boca e sai pela vagina. Justine é enterrada de forma a não deixar vestígios no mundo: sobre o túmulo são plantadas sementes e grama volta a crescer. A vida continua e pronto.</p>
<p>Destaque para a expressão de terror de Justine (Andressa Cabral) ao ser atingida pelo raio &#8211; a cena é repetida três vezes, uma para a esquerda, uma para a direita e uma para a plateia, num incrível jogo corporal &#8211; Andressa se contorce toda, feito quem tem convulsões).</p>
<p>No fim, já sem ninguém no palco, há um estrondoso som de trovão. Seria Deus no teatro?</p>
<p>Enfim, caros leitores, quem ainda não foi, corram. Vale super a pena. Quem foi, vá de novo. A gente do <strong>In Utero</strong> mesmo estamos prestes a ir novamente (soube que haveria novidades na montagem).</p>
<p>Termino esta série com as palavras do próprio Rodolfo García Vázquez, diretor da peça, em seu blog:</p>
<blockquote><p>Justine é:</p>
<p>A Família que não é familiar.</p>
<p>A Justiça que não é justa.</p>
<p>O Amor que não ama.</p>
<p>A Empresa que não empreende.</p>
<p>O Deus que não é divino.</p>
<p>O Poder que não permite ao Outro poder.</p>
<p>A dor que não para de doer.</p></blockquote>
<p>A dor. Devo dizer: pelo menos algo na vida de Justine é legítimo &#8211; e inquestionável.</p>
<p>Dado</p>
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