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Tentaram me tirar da festa libertina, mas eu disse ‘não, não, não’ (ou ‘a noite em que Amy Winehouse atirou a peruca na minha cara’)

festa trilo

Eu já tinha ouvido falar nas festas dos Satyros. Teve um tempo que rolava a Festa na Boate (o Espaço dos Satyros Dois é uma antiga boate), com direito a show de sexo explícito e tudo. Numa cena bastante emblemática para o enredo da coisa, Dimi Cabral, irmão do Ivam, teria cantado uma versão de Devolva-me, em que dizia “Rasgue as minhas pregas e… não me procure mais…” Uma loucura.

A festa que rolou na última madrugada não chegou a tanto. Foi o Bota Fora da Trilogia Libertina. Os Satyros estão prestes a partir para o Rio, para levar os espetáculos Liz, Monólogo da Velha Apresentadora, e a Trilogia Libertina – A filosofia na alcova, 120 dias de Sodoma e Justine. Daí  fizeram uma despedida. Enquanto o pessoal pagava a entrada, Rodolfo dizia animado: “Agora a gente não passa fome!” (vale lembrar o perrengue que rolou com eles quando partiram para a Europa – mas isso é assunto para outros posts).

Já nas escadas, para descer para o porão-boate-teatro, um aviso, escrito em giz: “bienvenue au boudoir.” Bebidas? Muitas, com nomes bem sugestivos. “Tesão de Sade”, “Cu[ba] Libre”, além de sei-lá-o-quê de “Me[n]ta”. Na bilheteria, um libertino vestido a caráter. Parecia saído de 120 dias. O cara usava um sobretudo roxo, todo ornamentado, botas de sola grossa e uma calça… não, o cara estava sem calça, com uma boxer bordô. “Vocês estão prestes a entrar no castelo de Silling [onde os amigos libertinos aprisionam os jovens em 120 dias]. Agora precisam decidir se querem ser libertinos ou se querem ser vítimas.” Adivinhem o que as pessoas ali queriam ser.

(Pausa para o relato da Teoria da Dissonância Cognitiva: Ana Raquel diz “Frio nas pernocas?” Libertino faz pausa de alguns segundos, e responde um cordial ”Obrigado”. Vai entender.)

Os próprios atores comandavam o bar, a chapelaria e o som – tudo muito colaborativo. Rodolfo chegou a alertar: “Vocês vão conhecer a Cláudia Leitte!” Como assim, Rô? Axé numa festa libertina? “Mas é a Cláudia Leitte da Praça!” Ah, bom.

Alguns ex-homens realmente subiram ao palco para performances de dublagem. Uma loucura. Cada modelito… Teve até um rapaz do bar do Satyros Um (na hora que ele apareceu, alguém gritou “Olha lá, parece o André!”). Mas quem roubou a cena mesmo foi a Amy Winehouse. A atriz Erika Forlim encorporou a diva bêbada como ninguém. Subia no palco e fazia sinais na garganta, tentando gritar “TÔ SEM VOZ!”, até que o Ivam resolveu roubar a cena, fazendo o que sempre faz (dizem as más línguas) nas festas dos Satyros: abaixar as calças.

Uma loucura.

Daí, depois que uns cinco homens subiram para encoxar a Amy (e o Henrique Mello resolveu enfiar a cabeça debaixo da saia dela – uma loucura), ela resolveu rasgar a fantasia. Deve ter olhado para a plateia e se perguntado “quem será que precisa de um mega tufo de cabelo, hein?”, e nesta hora me viu. “Ah, aquele careca ali!” Batata. Eu, conversando com o povo, nem pude ver aquela tonelada de cabelo vindo em minha direção. Foi em cheio na cara. Dado o volume capilar, compreendam que eu quase fui ao chão (Amy, querida, como é que você equilibra isso na cabeça?).

Na pista, muito Michael Jackson (querido, para sempre em nossos corações), inclusive, foi a primeira música da noite. O DJ pára tudo e pergunta “Tem alguém bêbado aí?”. Quem sabe a pergunta era se tinha alguém que não estava bêbado ali. Quando começou a tocar Thriller, quem aparece? Erika. De Amy? Não, de indiana. Foi uma mistura de Maya de Caminho das Índias com passeio de canga na praia, tudo em clima de muita sensualidade. Uma loucura.

Alguns hits dos Backstreet Boys, Spice Girls e Britney Spears depois, era hora de recarregar – porque né? Saí da pista deixando meu casaco num cafofo que dá acesso ao camarim (sem ter notado a existência de uma chapelaria na festa). Acabei ficando pelo bar mesmo. Encontrei algumas pessoas, com quem fui confabular sobre o livro (ja tem até título, sabia?). Aliás, Carmem, Giza, Erika e Samira, um beijo – vocês são umas fofas.

Também encontramos o Ivam, bem louco, no caminho do banheiro, mas ele estava num estado que me impede de tentar reproduzir o diálogo que se seguiu.

Dia clareando, a festa já ficando vazia (por que será que nessas horas sempre tocam as músicas mais legais?) um povo dormindo nos cantos… Vamos embora? Vamos. Lá vai o Dado buscar o casaco no cafofo. Em vez do casaco, o que encontro? Um pessoal se pegando geral. Jesus, uma loucura. Segundo meu irmão, são quase sinônimos: “cafofo” + “festa” = “abate” (adicione à equação a variável “libertina” que o resultado fica imprevisível). A ética jornalistica não me permite citar quem estava bem louca e sem sutiã, liberando geral lá dentro. Três palavras: se joga, mona.

Enfim, assim terminou a minha noite libertina. Se alguém encontrar um casaco preto meio amassado, meio embebido em álcool, por favor me liga. Sobre o que rolou, só digo o seguinte: foi uma loucura.

Pessoal, estamos aguardando a próxima!

Dado

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