1 Vícios e Virtudes
2 Senhor du Harpin, o velho sovina
3 Dubois, a prisioneira (parte 1), o incêndio e os ladrões
4 Marquês de Bressac, o devasso, e seu vício de amar homens
5 Senhor Rodin, o médico
6 Padre Rafael (parte 1) e o convento dos devassos
7 Dalville, o falsário, e o moinho
8 Dubois, a baronesa (parte 2), no albergue, e Dubreuil, a vítima
9 Senhora Bertrand
10 Padre Rafael (parte 2) e o julgamento
11 Blasfêmia?
12 O trovão
13 A nova Juliette
Justine chega à parte final de seu relato. Como na peça, estas três partes são uma só, contemos tudo junto.
Nos diz a infeliz virtuosa:
Uma mulher indigna quer seduzir-me para um novo crime e torno a perder os poucos bens que possuo para salvar a fortuna de sua vítima e para evitar sua desgraça. O infeliz quer recompensar-me dando-me seu nome e expira nos meus braços antes que possa fazê-lo. Exponho-me a um incêndio para salvar uma criança que não é nada minha e eis-me pela terceira vez sob o gládio da Têmis. Imploro a proteção de um desgraçado que me desonrou, ouso esperar que ele se sensibilize com o excesso dos meus infortúnios e novamente ao preço da minha desonra é que o bárbaro me oferece ajuda.
Justine/Sofie reencontra Dubois num albergue. A mulher novamente se mostra a maior tentadora das virtudes de Justine – repare que, antes de fazer mal a Justine, Dubois a convida para tomar parte em seus planos. Oferece argumentos que balançam a fé de Sofie.
A criminosa agora se intitula baronesa e, pelo visto, sua fortuna foi construída sobre atitudes nada louváveis. Em nenhum momento a ótica de Sade aparece tão clara quanto aqui:
(…) Não é a escolha que o homem faz do vício ou da virtude, minha querida, que o faz encontrar a felicidade, pois a virtude não é, como um vício, senão um modo de se portar no mundo. Não se trata, portanto, de seguir um e não o outro, trata-se apenas de trilhar o caminho geral; aquele que se afasta dele, sempre erra. Num mundo inteiramente virtuoso, eu te aconselharia a virtude porque as recompensas a acompanhariam; a felicidade infalivelmente adviria dela; num mundo totalmente corrompido, jamais te aconselharia outra coisa senão o vício. Aquele que não segue o caminho dos outros perece inevitavelmente, tudo o que ele encontra o prejudica, e como é o mais frágil, é preciso, necessariamente, que seja vencido.
É em vão que as leis queiram restabelecer a ordem e repor o homem no caminho da virtude; pervertidas demais para consegui-lo, fracas demais para ter êxito, elas o afastam por instantes do caminho aberto, mas jamais o farão abandoná-lo. Quando o interesse geral dos homens as levar à corrupção, aquele que não se quiser corromper com eles lutará contra o interesse geral; ora, que felicidade esperam aqueles que contrariam eternamente o interesse dos outros? Dir-me-ás que é o vício que contraria os interesses dos homens; concordarei contigo quanto a um mundo composto de partes iguais de depravados e virtuosos, porque então o interesse dos primeiros se choca visivelmente com o dos outros, mas não é assim numa sociedade totalmente corrompida; meus vícios, então, não ultrajando senão os depravados, determinam nele outros vícios que os recompensam e ambos ficamos felizes. A vibração torna-se geral, é uma enorme quantidade de choques e lesões mútuas, onde cada um, recuperando imediatamente o que acaba de perder, vê-se sempre numa posição agradável. O vício não é perigoso senão para a virtude, porque, frágil e tímida, ele jamais ousa alguma coisa, mas se ela for banida da terra, o vício, não afrontando senão os depravados, não perturbará mais ninguém, fará eclodir novos vícios, mas não se alternará com as virtudes.
Objetar-me-ás com os bons efeitos da virtude? outro sofisma, eles servem somente ao fraco e são inúteis àquele que, pela sua energia, basta-se a si mesmo e que não necessita da sua sagacidade senão para corrigir os caprichos da sorte. Como queria que tudo te desse certo durante toda a tua vida, minha querida filha, se tomavas sempre o caminho contrário ao de todo mundo? Se te tivesses deixado levar pela corrente, terias encontrado o porto como eu. Aquele que deseja remar contra a corrente chegaria lá em cima com a mesma rapidez daquele que desce? Um quer contrariar a natureza, o outro se entrega a ela. Sempre me falas da Providência, e quem te prova que ela ama a ordem e, por conseguinte, a virtude? Não está ela sempre te dando exemplos dessas injustiças e dessas irregularidades? É enviando aos homens a guerra, a peste e a fome, e tendo formado um universo pervertido em todas as suas partes, que ela manifesta aos teus olhos seu extremo amor pela virtude? E por que queres que as pessoas depravadas a desagradem, já que ela própria age apenas pelos vícios, que tudo é vício e corrupção, que tudo é crime e desordem na sua vontade e nas suas obras?
E, ademais, de quem recebemos estes impulsos que nos impelem para o mal? Não é sua mão que no-los dá, haverá uma só vontade nossa, ou sensação nossa, que não venha dela? Será então razoável dizer que ela nos abandonaria ou nos daria inclinações para uma coisa que lhe seria inútil? Se, portanto, os vícios a servem, por que desejaríamos combatê-los, por que direito agiriamos para destruílos e quem diz que resistiríamos à sua voz? Um pouco mais de filosofia no mundo logo poria tudo no seu devido lugar e faria ver aos legisladores, aos magistrados, que estes vícios que eles acusam e castigam com tanto rigor, têm às vezes um grau de utilidade bem maior que essas virtudes que pregam sem jamais recompensá-las?
— Mas quando eu tiver a fraqueza, madame, (…) como conseguirieis abafar o remorso que a cada momento nasceriam no meu coração?
— O remorso é uma ilusão, Sofie, redargüiu a Dubois, ele não passa do murmúrio imbecil da alma fraca demais para ousar eliminá-lo. (…) só nos arrependemos daquilo que não estamos acostumados a fazer. Repete freqüentemente o que causa remorso e conseguirás eliminá-lo; enfrenta-o com o facho das paixões, com as leis poderosas do interesse e logo o terás dissipado. O remorso não prova o crime, mas indica somente uma alma fácil de subjugar. Se houver uma ordem absurda que te impeça de sair imediatamente deste quarto, tu não sairás daqui sem remorso, embora seja certo que não farás mal algum em sair.
Portanto, não é verdade que somente o crime é que causa remorso; convencendo-se da nulidade dos crimes ou da sua necessidade com relação ao plano geral da natureza, seria portanto possível vencer tão facilmente o remorso que se teria em cometê-los, como te seria fácil abafar aquele que nasceria da tua saída deste quarto após a ordem ilegal que terias recebido para aqui ficar. É preciso começar com uma análise exata de tudo o que os homens chamam de crime, começar por convencer-se que estes não passam de uma infração das suas leis e dos seus costumes nacionais, que eles assim caracterizam; o que chamamos de crime na França, deixa de sê-lo a algumas léguas dali, que não existe nenhuma ação que seja realmente considerada como um crime universalmente em toda a terra, e que, em conseqüência, nada no fundo merece razoavelmente o nome de crime, que tudo é uma questão de opinião e de geografia.
Dito isto, é portanto absurdo querer se submeter à prática das virtudes que não passam de vícios em outros lugares, e a fugir de crimes que são boas ações em outros climas. Pergunto-te agora se este exame feito com reflexão pode causar remorso naquele que, por seu prazer ou por seu interesse, tenha cometido na França uma virtude da China ou do Japão que, todavia, a desonrará em sua pátria. Será que ele se deterá diante dessa vil distinção, e se for um pouco filosófico, será ele capaz de lhe causar remorso? Ora, o remorso só existe por causa da defesa, surge por causa do rompimento dos freios e não por causa da ação; será sensato deixá-lo subsistir em si, não será absurdo não eliminá-lo sem demora?
(…)
— E não credes que a justiça divina recebe num mundo melhor aquele a quem o crime não assustou neste?
— Creio que se existisse um deus, haveria menos males na terra; creio que se o mal existe na terra, ou estas desordens são exigidas por esse deus, ou então ele não tem forças para impedi-las; e não temo um deus que é apenas fraco ou perverso, enfrento-o sem medo e rio-me dos seus raios.
Dado o discurso, Dubois ofecere dinheiro pela ajuda de Sofie. Justine/Sofie concorda apenas para ouvir os planos da mulher e tentar impedir (mais uma mentirinha em nome do bem). Trata-se do jovem negociante, Dubreuil (Diogo Moura). O rapaz está hospedado no albergue e confidenciou à “baronesa” Dubois que está apaixonado por Sofie. Suposta alcoviteira, Dubois prometeu intervir, mas está de olho mesmo é na grana do maroto, que fica escondida ao lado de sua cama.
Dubois já combinara tudo de antemão: Sofie sairia para passear com Dubreuil e, enquanto estivesem fora, invadiria o quarto dele, roubaria todo o ouro, despacharia para outra cidade, mas ainda não fugiria: ficaria no albergue para fingir que ajuda o moço a encontrar os pertences roubados. Só depois de apagar as suspeitas é que as duas fugiriam juntas.
Sofie ouviu tudo, decidida a contar a Dubreuil assim que se encontrassem.
Mas…
(…) se Dubreuil está apaixodo por mim, não posso conseguir mais dele avisando-o ou me vendendo a ele, do que podeis oferecer-me para traí-lo?
— É verdade, disse a Dubois, na verdade começo a crer que o céu te deu mais arte do que a mim para o crime. Está bem, continuou ela escrevendo, eis aqui minha nota de mil luíses, atreve-te a recusar agora.
Isso foi só um teste para Dubois. Não era a intenção de Sofie.
A moça então começa a conversar com Dubreuil e percebe logo sua afeição. Os dois foram ficando próximos conforme os dias foram passando. Até que chegou a data do tal passeio. Antes de deixarem o albergue, porém, o casal jantou no quarto de Dubois.
Mal saem para a rua e Sofie conta o plano de Dubois. Vai, Dubreuil, não deixe o quarto abandonado. Faça com que alguém esteja lá enquanto saímos.
Muito grato, Dubreuil deixa um amigo no quarto e os dois partem para o passeio. É nesta hora que ele a pede em casamento.
Sofie fica nas nuvens. Finalmente sua sorte iria mudar. Porém, no meio do passeio, após percorrerem duas léguas, Dubreuil começa a sentir dores e a vomitar horrivelmente.
De volta ao albergue, o diagnóstico do médico: envenenamento. Pânico. Sofie procura Dubois – ela já fugiu, após arrombar os armários do quarto de Sofie, em vingança, levando seus pertences e dinheiro.
Dubois planejara tudo: antes do passeio, envenenara a comida de Dubreuil (que jantaraem sua casa) para que ele, ao retornar e encontrar seus pertences roubados, só se ocupasse em tentar salvar a própria vida.
Dubreuil defende Sofie enquanto agoniza. Proíbem que a persigam, atesta sua inocência.
Desgraçada criatura que eu sou, será preciso que a felicidade só me seja oferecida para que eu sinta mais intensamente a tristeza de jamais poder alcançá-la?
O filme de Sofie não fica dos melhores. Apesar da palavra de Dubreuil a favor dela, antes de morrer, não havia mais nada que provasse sua inocência. Ao contrário: ela estivera com o rapaz antes dos fatos que o causaram óbito.
Assim sendo,ela decide partir. O amigo de Dubreuil lhe dá algum dinheiro e indica uma mulher a Sofie, a quem ela poderá pedir trabalho como criada. É uma comerciante que está no albergue, indo de volta para Chalon-sur-Saône após alguns dias de negócios. É a Senhora Bertrand.
Bertrand (Gisa Gutervil) tem uma filha pequena, de 18 meses, que ainda mama no peito. Sofie fica muito apegada à bebê e tem uma boa relação com Bertrand, que é meio grossa, meio tagarela. Durante a longa viagem, chegam a Villefranche, onde resolvem passar a noite em um outro albergue.
Durante a madrugada, porém, ocorre um incêndio no prédio. Todos fogem desesperados. Bertrand, inclusive, sem nem lembrar da filha.
Sem nada dizer-lhe corro para dentro do nosso quarto, em meio às chamas que me cegam e queimam-me várias partes do corpo, agarro a pobre criaturinha e corro a levá-la para sua mãe. Mas ao apoiar-me sobre uma trave meio queimada, falta-me o pé e meu primeiro movimento é estender as mãos. Esse impulso da natureza me deixa cair o fardo precioso que seguro e a infeliz criança cai nas chamas aos olhos da mãe.
Um adendo: note que é a primeira vez que Sofie se refere à natureza para se referir ao impulso. Note também que qualquer personagem de Sade, virtuoso ou devasso, faz uso da natureza para legitimar suas atitudes: para o libertino, o vício é impulso da natureza e, como tal, não deve ser ignorado. Para o puro, contrariar a natureza é agir contra as supostas leis divinas.
Bertrand fica louca da vida. Culpa Sofie pela morte da criança – ainda mais ao notar, depois do incêndio controlado, que o berço não seria atingido.
Bertrand denuncia Sofie para o juiz da cidade. Na sua sede de vingança, ela descreve uma Sofie nada virtuosa para o juiz: uma garota de vida fácil, que fugira da forca na outra cidade, que possuía amantes e por aí vai.
Durante o processo, as testemunhas montam uma história na qual Sofie é a incêndiária, a assassina da criança, e cúmplice dos ladrões (que botaram fogo no albergue para facilitar sua ação).
Veredito: condenada.
Coincidentemente, ali era o lugar onde o padre Antonin, um dos devassos do convento, estava vivento (não o albergue, mas a região). Sofie, em seu desespero para não ser condenada, pede para falar com ele. Ele aparece, mas finge não conhecê-la. Até que ela pede para que eles conversem em particular.
Nesta conversa, o padre até oferece ajuda a Sofie, mas com uma condição: ela, livre das acusações, entraria para o convento. E pelo resto da vida, teria que se submeter aos desejos dos padres devassos.
Não. Sem liberdade sob estas condições. Sofie dispensa o padre.
Não te servirei, nem te aborrecerei, mas se disseres uma só palavra contra mim, eu te acusarei de crimes ainda maiores e eliminarei num instante qualquer meio que possas ter para defender-te. Pensa bem antes de falar e compreenda o espírito das palavras que direi ao carcereiro ou eu te esmago de uma vez por todas.
Cara de pau, ele ainda fala para o juiz que a moça se confundiu, que devia estar pensando em outro padre Antonin.
Sofie é então condenada por unanimidade.
Os pensamentos mais amargos e dolorosos surgiram então para acabar de me estraçalhar o coração.
Depois, ela seria transportada até Paris, para ser julgada pelas instâncias superiores. Foi quando seu caminho se cruzou com a madame de Lorsange.
É nesta hora que ela faz aquele relato com o qual nós aqui do In Utero começamos a nossa análise e que nos serviu de introdução para todos os posts – um parágrafo no qual, após passar horas falando de seus infortúnios, ela resume tudo o que lhe ocorreu.
Enfim, vamos à peça:
A montagem deste trecho foi uma verdadeira revolução: estas três partes se tornaram apenas uma. Foi mais ou menos assim: ao sair do moinho de Dalville, Sofie conhece um rapaz que se sensibiliza com sua história e dá um pouco de dinheiro para ela (este seria o amigo de Dubreuil no enredo original, mas note que Dubreuil ainda nem apareceu). Este rapaz indica uma mulher para quem Sofie pode trabalhar como criada, a Senhora Bertrand, no albergue. E lá vai Sofie.
No albergue, trabalhando para Bertrand e cuidando de sua filha, Sofie reencontra Dubois. Dubois ofecere o plano maldito envolvendo Dubreuil. Sofie e Dubreuil se apaixonam e saem para passear. Sofie conta para Dubreuil todo o plano de Dubois. Dubreuil sai correndo chamando pelo seu amigo, rumo ao quarto, mas já chega lá morto. É nesta hora que começa o incêndio (sim, aqui só tem um albergue) e a criança morre. Ufa, haja fôlego!
Daí, enquanto Sofie tenta se explicar, já começa o julgamento, num jogo de cena bastante dinâmico. Semelhante ao primeiro julgamento (referente ao roubo do anel da Senhora du Harpin), os jurados aparecem no mezanino desferindo xingamentos contra sofie (“sua celerada! sua latifundiária!”). Então ocorre uma reconstituição do crime, em tom pra lá de cômico: Robson Catalunha e a máquina de fumaça mandam superbem.
Até o padre Antonin aparece para depor (eu sei que eu coloquei Rafael no título, mas foi para definir a continuidade do tema do convento), mas ele apenas diz que nunca nem esteve no convento citado por Sofie.
Enfim, ela é condenada.
As soluções cênicas são das mais inventivas: como Bertrand aparece no restaurante do albergue, suas cenas são sempre à mesa: Gisa Gutervil fica sentada numa espécie de carrinho, onde tem uma mesinha montada com prato e tudo. Este carrinho é empurrado para o palco por um garçom (Danilo Amaral), vestindo apenas o avental (e nu por baixo). Deixando Bertrand lá, ela tem sua refeição enquanto Dubois se encontra com Sofie, perto de outra mesa (outro carrinho, só que maior, empurrado por Henrique Mello, igualmente vestido apenas com o avental). Este segundo carrinho fica ali no canto o tempo todo. Curiosamente, depois da fuga, a cabeça de Dubois vai parar na bandeja que está sobre aquela mesa, na hora do julgamento – veja que coisa: sendo Dubois a personagem mais chave em relação à filosofia sadeana nesta história, a presença dela é necessária para esclarecer algumas questões em cenas que não estão presentes no livro, como o julgamento. Repare: Sofie dirá que Dubois roubou seus pertences. Esta “presença” de Dubois vai dizer: “Mas eu sou uma baronesa. Por que eu roubaria os pertences desta moça pobre?”
O processo que culpará Sofie, no próprio livro, já tem um tom farsesco. Na peça ele assume proporções maiores na parte da reconstituição do ocorrido. Robson Catalunha, sob comando de Ruy Andrade, mede a altura da janela, quantos passos tem da cama pra porta, a quantidade de fumaça, o barulho de gente caindo e gritando, enfim, uma comédia (ele aparece com a língua presa, fazendo um débil sotaque). Nesta parte, Luisa Valente assume a pele de Sofie para remontar o crime. Ela aparece no meio da confusão cheia de joias, roubadas de Bertrand, dizendo “olha aqui a sua linda criança que eu estou salvando”, cheia de ironia. Mais tarde, a loira ainda aparece atirando o bebê pela sacada, causando desespero de Bertrand.
Antes de tudo isso vir à tona, porém, cabe ressaltar como que ocorre esta virada na cena: relembrando os bons momentos com Dubreuil, de repente ele grita “mas foi ela que planejou tudo!” e de repente aparece o julgamento (o martelo do juiz, Rodrigo Souza, é um enorme dildo). No meio do julgamento, outra virada, quando alguém grita “reconstituição!”, e tudo muda outra vez.
Nos momentos finais da peça, uma cena com ritmo incrivelmente mais dinâmico que todas as outras.
Enfim, o relato de Sofie para a madame de Lorsange termina aqui. Mas o livro ainda não termina. Elas ainda precisam descobrir que são irmãs. E a Providência também precisa dar as caras. Afinal, estamos falando de Sade.
Dado







